//
você está lendo / you're reading...
internet, literatura, música

20 perguntas para Felipe Mello

O cantor Felipe Mello está lançando seu primeiro álbum solo, Som da Paisagem, estreia do projeto Aeroflip (escute as músicas no site do artista). Aqui ele fala sobre o processo de criação do disco, da carreira musical, artistas que curte e curiosidade sobre sua vida.

aeroflip_03

Cantor e compositor Felipe Mello lança seu primeiro álbum solo, O Som da Paisagem (foto: Marcos Gruhn)

01. O que é Aeroflip?

Sugerenovos voos. É como se fosse viajar para bem longe, sem sair do lugar e voltar para dentro de si. Flip – a guinada do que já foi; Aero – a transparência do que será.

02. O álbum O Som da Paisagem transita entre o folk, o rock e a MPB. Como se dá essa mistura de gêneros?

Os três gêneros formam o elo do que sempre ouvi e sigo ouvindo desde moleque. Estou identificado com todos eles, procurando absorver a atmosfera de cada um e daí transpondo para minhas melodias e ritmos. 

A gênese criativa das minhas músicas sempre parte das composições com o violão, instrumento que me identifico e que é fonte sonora do que componho.

03. E as parcerias no disco? Compositores, poetas e letristas. Fale um pouco de cada um.

Além de “Dois polos”, que abre o disco, tenho algumas parcerias com o Cuca Moreira, publicitário e músico de Pelotas. Conheço Cuca desde os tempos da Doidivanas, pois ele participou da primeira fase da banda. Admiro a maneira que ele transmite suas ideias através da música. Em seu texto, trata das coisas do cotidiano de forma simples e direta. Ainda pretendo desenvolver um trabalho com o Cuca… algum outro disco, mas ele não pode saber disso. (risos)

Juca Moraes é como se fosse um irmão mais velho das artes. O cara é do tipo que você lança um tema, ele te olha, acende um cigarro, pega a caneta e escreve maravilhas sobre aquilo. Seu berço é Bagé, mas é um cruz-altense de alma e coração. Temos uma amizade que já passa de 20 anos, então fiz questão de convidá-lo para o projeto. Sempre interpretei em festivais suas poesias, mas não tínhamos nenhuma parceria gravada. Chegava a hora de firmá-las. Assim, surgiram o “Som da Paisagem” – faixa-título do álbum – e “Um blues depois de mim”, que foram compostas para especialmente para esse projeto.

Meu pai Silvio Luzardo – quando eu ainda era guri – me puxava pra dentro de um quarto, dava “rec” no gravador e treinava minhas entonações de voz, me mostrando como eu deveria me expressar ou recitar um poema, sempre com “firmeza na locução”. Foi meu primeiro incentivador, quem me convenceu a subir num palco, nos festivais estudantis de poesia que aconteciam em escolas de Cruz Alta nas década de 1980. Participa no álbum com 3 poemas: “Montparnasse”, “Areia no vento” e “A verdade chora na América.”

Sendo ele natural de Piratini, conheci o Juarez Machado de Farias em 1994, na Casa do Estudante de Pelotas. Advogado, radialista, poeta de traço refinado, sempre teve um domínio louvável do verbo e da gramática. Amigo de poucas palavras, mas sempre com muita propriedade. Compusemos “Quando o coração é um violão desafinado” para o 1º Canto Inter-Universitário Rio-Grandense (CIRIO), que acontecia naquele ano na cidade. Na oportunidade não passou na pré-seleção. Inscrevi em mais uns 2 ou 3 festivais e hoje, sinceramente, agradeço por ter sido assim, e por ter podido gravar esse tema, cuidadosamente para o Aeroflip, com todo o esmero que ele merecia.

Dos outros 3 Doidivanas, Rodrigo dMart é o brother que mantenho um vínculo mais frequente. O cara é uma usina de ideias. Somos bastante confidentes naquilo que realizamos. Sempre compartilhamos nossas aspirações artísticas e procuramos enxergar um mundo por vezes ilusório, mas que mantém a união. No planejamento do álbum, já que eu chamei pra mim a responsa de produzir o trabalho, senti que precisava me esquivar de tudo o que fosse relacionado à Doidivanas. Pra não ter nenhum vício, nenhum resquício… buscar de verdade a guinada, como o “Flip” indica. Mas não foi uma tarefa fácil. Assim, “Ímã” e “Casa das canções”, que faziam parte do rol de experimentações dos Doidivanas, ganharam vida no “Som da paisagem.

O cruz-altense Hugo Tagliani reside no norte do país há alguns anos. Compositor e violonista de mão cheia, integrou o grupo de música latino-americana “In Natura” na década de 1980, de onde surgiu a síntese de “A verdade chora na América”. Formatamos a parceria durante um telefonema, bem no início do processo criativo do disco.        

04. Como foi a definição dos arranjos musicais?

Muito louco. Quando esbocei o álbum, jurei pra mim mesmo que seria um trabalho enxuto sob o ponto de vista dos arranjos. Pensei: ”vou reunir umas 12 composições significativas na minha trajetória, gravar as guias, rechear com alguns violões… umas percussões para ritmar, um que outro baixo pra pulsar aqui e ali e já era…”

Só que à medida que as trilhas foram surgindo, a obra tomou outra proporção… Concluí que algumas canções precisariam de mais recheio sonoro. Para um primeiro trabalho solo, optei por uma textura mais heterogênea no convite aos músicos, mas sempre com a preocupação de manter a célula sonora que buscasse atingir unidade em todas as músicas. Esse se tornou o desafio. 

05. E a escolha dos músicos que te acompanham neste projeto?

Em 2005, venci a “Linha livre” de um festival em Camaquã (RS) e um dos músicos que participava do grupo era o Lucas Esvael. Baixista técnico e preciso, reside em Porto Alegre e participa de dezenas de projetos como músico contratado. Na ocasião do festival, executou guitarra e fiquei abismado com o toque refinado e o bom gosto nos acordes. Admirador de jazz e de MPB, precisava de alguém com esse perfil para costurar os arranjos de parte das músicas. O Lucas tinha esse tempero.

Luke Faro ingressou comigo na faculdade de Arquitetura e Urbanismo, na UFPEL. Através dele, conheci outros músicos e pessoas que lidavam com formação musical, na escola “Musiarte”. Foi o primeiro amigo com quem dividi o palco em Pelotas, nos improvisados “happy hours” da FAUrb. Sempre dizia a ele que quando fosse gravar um trabalho mais autoral, ele seria convidado pra participar. Gravamos as baterias durante um final de semana.

Marcelo Mello é professor de violino e transita por diversos trabalhos na Ilha de Santa Catarina. Conheci através de meu pai, Silvio Luzardo, que é aluno de Marcelo. Um dos seus violinos é do século XIX e tem um som incrível. Além do violino, também tocou viola em duas das três canções que gravou pro disco.

Baixista autodidata, Ozeias Ramos tem uma pegada à la Arthur Maia. Daqueles que você mostra pela primeira vez um tema e já na segunda audição, além de “copiar” todos os acordes, já traz ideias sonoras maravilhosas. Tem uma extensa trajetória nas chamadas “bandas-baile” e a partir dele, ainda não ouvi slaps tão bem executados ao vivo.

Fabiano Queiroz é um prodígio da guitarra. Tem uma veia roqueira blues e rock’n’roll impressionante. Em 2006, foi indicado pra ser o guitarrista da Tomarock (banda cover de clássicos do rock e do blues que giramos durante uns três anos) e de lá pra cá firmamos amizade. Cuidadoso com os instrumentos, também é um excelente arranjador. O mundo precisa conhecê-lo.

Conheci o uruguaio Miguel Tejera em Pelotas, logo que ele se transferiu para o Rio Grande do Sul. Muito virtuoso, o baixista tem participação em diversos trabalhos pelo estado. Admiro os timbres que ele explora no instrumento e tinha certeza que sua arte contribuiria positivamente para o arranjo das faixas que gravou.

Por sermos da mesma cidade, tenho uma amizade antiga com o maestro Alexandre Takahama,que trouxe sua habilidade na flauta e emprestou todo o requinte na faixa que registrou, engrandecendo o tema. Multi-instrumentista é um profundo conhecedor de música clássica e contemporânea. Atualmente é regente da orquestra da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul.

Cristiano Panigas é um colecionador de badulaques, como todo o bom percussionista requer. Quando ele chegou no estúdio Luna com ralador de cozinha, panelas, caixinha de madeira com pedras dentro e mais um baú de surpresas – além dos instrumentos convencionais – e tirou som de tudo aquilo me fez cair o queixo. Gravou a maioria das canções e contribuiu com boas ideias e vibrações durante a concepção dos arranjos, acompanhando boa parte do processo de gravação juntamente com os outros músicos.

O harmonicista Ale Ravanello destroi (no bom sentido da palavra) uma gaitinha de boca. Tinha conhecimento de alguns trabalhos seus e ouvi algumas coisas do seu “Blues Combo”. Ele tem uma maleta do tipo 007 recheada de gaitinhas, uma pra cada tom e ocasião. Grande músico e vocalista também.

Protásio Jr. conheci em Pelotas através do estúdio onde a Doidivanas ensaiava: o Electric. É um sujeito de grande talento nessa parafernália de áudios e domina o Protools como poucos. Foi o responsável pelas mixagens e por toda a textura do álbum. Através de seu conhecimento, bom gosto e criatividade, proporcionou a unidade do som que o disco merecia. Gravou teclados, samplers e sintetizadores em algumas músicas.    

06. Como foi a pesquisa para compor o repertório que está no disco?

Compilei temas que havia composto na minha trajetória de mais de 20 anos e que entendia que deveriam participar do tracklist. Sinceramente, foi mais uma auto-homenagem para não deixar essas composições “esquecidas”. Assim, sessenta por cento do disco são “velharias” que usei em laboratório nas bandas que participei e que não tinham sido gravadas. O restante foi composto especialmente para o álbum.

07. O álbum foi gravado em Cruz Alta, mixado em Porto Alegre e masterizado em Nova York. Por que esta escolha? E como foram os trabalhos de cada fase?

Iniciei as gravações em plataforma digital no estúdio Luna, em Cruz Alta, no qual fui sócio no primeiro ano de funcionamento. Fui operador e técnico, conduzindo todo esse longo processo inicial e gravando os registros sonoros dos dez músicos que por lá passaram. Posteriormente, as mixagens foram desenvolvidas no Submarino Amarelo, em Porto Alegre, pelo Protásio Jr Amadurecemos os contatos e o Submarino abriu as portas para que o “Som da Paisagem” fosse masterizado em Nova York, onde o Duca Leindecker – proprietário do Sub Amarelo – havia conduzido uns trabalhos de masterização com a “Cidadão Quem” e mais recentemente com a “Pouca Vogal.” Boa parte desse processo técnico de criação teve a impressionante e veloz contribuição de uma grande aliada: a Internet.  

08. Quais são as principais referências do projeto Aeroflip?

Os gringos Neil Young, Ray Lamontagne e Ben Harper; o hermano Jorge Drexler e o gaúcho Vitor Ramil.

09. Sobre o disco, como foi realizado o projeto gráfico?

Daniel “Cuca” Moreira além ser o padrinho de batismo do nome Aeroflip, e co-autor na faixa que abre o disco, foi o responsável pelo belo projeto gráfico. Optamos por poucas cores e linguagem clean. A concepção da capa em “voo solo” a gente revela daqui uns 15 anos. (risos)

10. Como é para você o processo de composição?

Prefiro compor e tenho mais habilidade com uma letra em mãos. Consigo resolver harmonicamente os versos, independente de seguirem uma métrica constante ou não. Acho que uma boa canção é aquela que funciona tanto com voz e violão, como com arranjos mais elaborados. Acredito que a síntese sempre parte do simples, naquela tese do “menos é mais”. Tenho algumas poucas melodias sem letras gravadas, optando pelo processo inverso (primeiro harmonização, depois letra), mas esse definitivamente, não é o meu mote.

11. Qual tua banda predileta, e por quê?

Escuto e gosto de muita coisa, de várias vertentes e gêneros, mas acho que a banda das bandas pra mim é Led Zeppelin. Tiveram uma trajetória de pouco mais de uma década, mas sua sonoridade influencia muitos artistas até hoje. Funcionava muito bem em estúdio e ao vivo. Cada figura do quarteto tinha o seu brilho próprio e quando tocavam juntos é como se atingissem uma nostalgia ímpar. Não me canso de ouvir os discos do Zep desde os meus 14, 15 anos de idade. É sempre atual pra mim.

12. Qual tua música predileta, e por quê?

Não tenho uma música em especial, mas te garanto que uma das que mais toquei em churrascos, bares e palcos foi Hotel California, do Eagles.

13. Cite cinco discos fundamentais para a tua vida.

Harvest – Neil Young / Led Zeppelin 4 – Led Zeppelin / The Wall – Pink Floyd / Ten – Pearl Jam / À beça – Vitor Ramil

14. Quando você toca violão, o que você costuma cantar?

Artistas do sul, como Nei Lisboa, Bebeto Alves e Vitor Ramil, algumas coisas brasileiras e regionais, como Caetano Veloso, Djavan, Almir Sater, Lenine, rock nacional dos anos 1980 (os de sempre) e sons gringos também.

15. Como é a tua trajetória na música? E a banda Doidivanas?

Subi aos palcos pela primeira vez, aos nove anos de idade, nos festivais de música e de declamação da escola estadual Margarida Pardelhas, onde cursei o primeiro grau. Havia um circuito por colégios da cidade e eu sempre marcava presença. Estudei um ano de violão e canto, quando tinha uns 12, 13 anos. Mais tarde, obtive o primeiro lugar na Coxilha Piá no ano de 1989 e, de lá para cá, contabilizei diversas participações nos principais festivais de música do RS. O primeiro bar que toquei por um bom tempo foi em Brasília (DF) e lá recebi meus primeiros “honorários artísticos”. Durante os cinco anos que lá vivi, surgiram convites para participar de outros trabalhos, onde eu mantinha o gosto pela música ativo. Acabei retornando para cursar faculdade no Sul em 1991.

Sempre gostei de dividir minha criação com companheiros de bandas. Foi assim na Terceira Via, meu primeiro grupo de rock e na Doidivanas, onde desenvolvi com mais frequência o apaixonante laboratório das composições. Durante a fase mais produtiva da Doidivanas, criamos uma proposta diferenciada para o mercado fonográfico da época, onde nossa fusão de rock’n’roll e regionalismo gaúcho atraía bastante simpatizantes, mas também afastavam aqueles considerados mais conservadores.

A fase doidivanesca foi uma experiência artística saudável, tanto no processo criativo nos estúdios (onde lançamos 3 CDs e 1 EP), quanto nos shows, onde pela primeira vez senti o respeito de outros colegas que também batalhavam por seus projetos e buscavam seu lugar ao sol (cito Acústicos e Valvulados, Comunidade Nin-Jitsu, Tequila Baby, Ultramen e Papas da Língua, por exemplo). Paralelo a isso, a mídia local respeitava o nosso som e colhemos frutos desta fase, nos apresentando em diversas cidades do estado, no Uruguai e em São Paulo. Foi um período que guardo com carinho. 

16. O que você prefere: tocar em estúdio ou no palco?

São escolas bem diferentes uma da outra, mas que estão sempre conectadas. Um estúdio de gravação é onde você parte de um simples registro sonoro e com o tempo pode transformar este som em algo nobre, depois de bem depurado. A tecnologia de hoje em dia permite que se tenha um resultado bem satisfatório. Com bons equipamentos e bons instrumentos, uma pequena sala com tratamento acústico razoável, com uma plataforma e referências de áudio é possível se produzir trabalhos com qualidade.   

17. Você coleciona documentários e livros sobre música. Cite alguns.

Um dos meus hobbies é comprar DVDs. Tenho muita coisa. Shows e documentários. Quando adolescente, usava toda a mesada que recebia para comprar discos de vinil. Apreciava a arte e o volume contido nos verdadeiros álbuns de LPs, como um todo. Desde o rótulo da bolacha até as letras que vinham inclusas dentro da embalagem principal. Sempre curti esses discos e quando adquiria algum do meu artista preferido, era como se ganhasse um troféu. Acho que é por isso que até hoje compro o que é original, para que o produto seja degustado por completo, seja um CD ou DVD. Mas evidentemente, tenho meus acervos de mp3 no HD do computador ou espalhados por outras mídias.

Estou lendo atualmente a autobiografia de Neil Young. Tenho algumas dezenas de livros sobre a história de algumas bandas. Um livro fantástico – On the Road, de Jack Kerouac, está sempre por perto.

18. Você é praticante da religião espírita. Como isso se relaciona com a arte que você produz?

Recebo frequentes convites para unir o dom artístico que tenho a temas espíritas. Tive contato com a doutrina Kardecista em 1993, por indicação de minha mãe, após uma forte depressão que durou uns 5 meses e quase me derrubou. A essência desta teoria fantástica que une religião, filosofia e ciência é o que me conforta nos momentos difíceis, nas fases de turbulência, nas diversas esferas da nossa existência. Musiquei há uns dois anos, um sonetoinédito da potiguar Auta de Souza (1876-1901) chamado “Jornada acima”, atendendo um convite de um respeitado espírita de Cruz Alta. Este soneto foi psicografado por Divaldo Franco em Cruz Alta, no ano de 1979. Elo inusitado, marca minha parceria com “a mais espiritual das poetisas brasileiras.”

Não descarto a possibilidade de um dia compor e gravar algo só com temas espíritas, e quiçá, lançar alguma coisa mais tarde. 

19. Que outras atividades você curte fazer?

Curto ler, pedalar, jogar um futebolzinho de vez em quando, assistir a shows, quando possível… as jantas do G10 também são uma curtição… trata-se de um encontro quinzenal de amigos que acontece há mais de 3 anos. São 11 caras, cada qual de uma área específica, onde tomamos cerveja, trocamos experiências e falamos bobagens.

20. Depois de o disco ficar pronto, quais são os planos para o Aeroflip?

Anseio que “O som da paisagem” chegue aos ouvidos das pessoas que se sensibilizam com este tipo de proposta. Gostaria que, na medida do possível, o CD chegasse às mídias e formadores de opinião do RS pra que esse pessoal visse o que ando fazendo atualmente.

Pretendo ter mais tempo pra pensar e elaborar um formato de show condizente com a estética do álbum.

Discussão

Nenhum comentário ainda.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Twitter – dMart

Twitter – Yara

Imagina Conteúdo Criativo no Facebook

%d blogueiros gostam disto: