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Videogame review: A gula e a cobiça em Candy Crush

Este review foi escrito originalmente como um trabalho acadêmico para a Especialização em Desenvolvimento em Jogos Digitais, na PUCRS, no primeiro semestre de 2013.

Por Rodrigo dMart

Seja bem-vindo ao mundo maravilhoso e super colorido dos doces. Neste reino, você será guiado por uma feliz menininha gordinha de vestidinho rosa e um simpático e esbelto senhor de monóculo muito bem aprumado, com paletó e camisa vermelhos e calça azul, ao modo de um gentleman apresentador de circo. Você irá desbravar este universo viajando num trenzinho mágico em uma gigantesca jornada por terras ermas. Terá a certeza de usufruir horas de lazer e diversão.

Mas cuidado com o bolso! Estamos falando de um jogo extremamente viciante, como máquinas de caça-níqueis. Imagine ter seu cassino particular. Com a diferença que você só gasta – tempo e dinheiro – e nunca irá ganhar nada além do seu prazer de jogar.

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Candy Crush, o mundo maravilhoso e super colorido dos doces.

Este é “Candy Crush”, auto-propagandeado “o jogo mais doce de todos os tempos”, da King.com, com mais de 10 milhões de jogadores, disponível para Facebook, iPhone, iPad e Android (atualização: em maio de 2013, o Candy Crush se tornou o game mais popular do mundo com “mais de 15 milhões de jogadores apenas no Facebook“). É um jogo que agrada a públicos variados, desde seu primo de oito anos, ao colega de trabalho (que nunca jogou em consoles ou PCs) ou até mesmo a sua avó. Sucesso absoluto no gênero de puzzle, acima de tudo, Candy Crush é uma verdadeira fábrica de dinheiro.

(Atualização:

Este jogo se coloca como um “state of art” da diversão. Uma diversão extremamente refinada embalada em algo aparentemente superficial, descompromissado e informal. Uma estética de desenho animado que, pelo fenômeno global que o game se tornou, parece tocar em impulsos primitivos como a gula e a cobiça (que, em uma de suas versões contemporâneas, pode se transformar no vício frenético da compra por impulso). A todo o momento, o jogador é bombardeado por um discurso persuasivo, estimulado a jogar sem parar.

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Sem parar: discurso persuasivo, gameplay intuitivo e acabamento visual.

Candy Crush ganha pela simplicidade do gameplay e pelo acabamento visual. Um puzzle com uma mecânica quase simplória: arrastar peças (doces) para formar combinações. Como a mecânica “estilingue” do também bem-sucedido Angry Birds, da desenvolvedora finlandesa Rovio, Candy Crush nos pega pela familiaridade, neste caso, aos jogos de tabuleiros como “Resta Um”, “Gamão” ou “Damas”. É um terreno conhecido.

Tudo é muito fofo, festivo, colorido e descontraído no universo de Candy Crush. Os cartunescos personagens. A música circense. As balas e doces saltam aos olhos, multicoloridas, parecem tremendamente saborosas e fresquinhas como em uma bombonière.

A arte e o design são um dos grandes trunfos de Candy Crush. É que “esmaga” a concorrência. Com uma mecânica idêntica, o game Bejeweled parece um protótipo de Candy Crush. Bejeweled não traz a humanização, não tem história, perto de Candy Crush é sem vida e monótono. Joias são atrativas, mas doces são mais. E Candy Crush se preocupou também com a internacionalização do produto. Traduziu menus e informações tutoriais para outras línguas.

A navegação é dividida em três níveis. A abertura inclui o logo do jogo – Candy Crush Saga (com direito a um meigo coraçãozinho) e as opções de “jogar” e “conectar”, com a presença de nossos sempre sorridentes dois anfitriões. No segundo nível, temos um grande mapa com as estações por onde viaja o trenzinho (e é possível ver que existem inúmeras níveis) com as fases do jogo, além de dois menus – a Yeti Shop – no qual você pode adquirir itens como “amuleto de vida”, por US$ 16,99, e “amuleto de listras”, por US$ 39,99 – e um mostrador com o número de vidas e o tempo que resta para você usufruir do jogo.

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Diversão sem fim em uma jornada de gula e cobiça.

No terceiro nível, está o jogo propriamente dito. O tabuleiro de doces ocupa a maior parte da tela. Ao fundo uma fachada de uma fábrica de doces (remete ao filme “A Fantástica Fábrica de Chocolates”). Na esquerda, menus e informações de pontuação (com numeração e régua de progressão – no qual o jogador verifica se vai ganhar as “3 estrelas” pela jogada). Há também um menu superior para as “features” – ao estilo “venha e compre” –  com habilidades extras e os doces especiais (“boosters”). No canto inferior há uma aba que abre navegação para ligar/desligar “som” e “música”, um “help” (com mais um tutorial detalhado, se você ainda não entendeu como jogar) e “saída”.  O jogo ainda inclui cutscenes de animações entre os níveis (com fases extras).

Os sons do jogo são vibrantes (excetuando aí a repetitiva trilha musical sempre insistentemente alegre). De acordo com as jogadas, você ganha “splashes” e palavras de estímulo como “sweet”, “divine”, “tasty” e “sugar crush” (quando você finaliza a missão).

A simplicidade do jogo é surpreendente. Para avançar, o jogador deve arrastar as peças no tabuleiro e formar conjuntos de três, quatro, cinco ou “L”. De acordo com a habilidade, o usuário ganha doces especiais que o auxiliam a superar os desafios chamados de “boosters” que, por exemplo, eliminam todos os doces em uma linha vertical ou horizontal ou todas as balas de uma mesma cor.

No início, Candy Crush faz de tudo para manter você jogando, facilitando de todas as formas possíveis para você se sentir um grande expert. Se você ficar em dúvida, peças piscam para indicar uma dica de jogada. Você será devidamente ensinado para, em forma crescente, ser bloqueado e dificultado em sua jornada lúdica. Mas não pode parar. E você precisa completar as missões – como eliminar a gelatina embaixo dos doces. Para isto terá um número limitado de jogadas. Se não conseguir, será “multado” e perderá vida. E o tempo está se esgotando!

Aliás, o tempo é um elemento fundamental no jogo. E tempo é dinheiro. Na versão testada – aplicativo baixado de forma gratuita para o iPad na iTunes Store – o jogador dispõe de um número de vidas e um tempo limitados para usufruir do jogo. O que acabar primeiro. Quando isto acontece, é preciso aguardar 20 minutos para a próxima partida. Ou comprar. Muitas coisas: vidas, jogadas extras, doces especiais (os famigerados “boosters”).

De forma geral, há um mecanismo de recompensa comedida. É o caso dos famigerados “booster”, doces especiais que você destrava conforme avança. Você tem a oportunidade de utilizá-los, mas para isso você deve pagar. A bagatela inicia em 0,99 dólares e chega até 39,99 dólares, de acordo com a feature desejada: o “martelo-pirulito”, a “bomba da cor”, a “roda de coco” ou o “amuleto de listras” (o mais caro da lista).

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Competição em rede: página Candy Crush no Facebook.

E a competição se estende às redes sociais, especificamente, o Facebook. É possível comparar a pontuação com outros internautas em um verdadeiro infinito campeonato global. O jogador também pode usar a rede para conseguir vidas e jogadas-extra. Para isso, basta chamar os amigos. E, espertamente, o pessoal da King.com consegue uma forma espontânea de promoção e divulgação do jogo. A cada intervalo de rodada, o jogador ganha “estrelinhas” de desempenho e revê a pontuação e, claro, sempre estimulado a compartilhar seus resultados no Facebook. Uma reação em cadeia que mantém os usuários constantemente envolvidos.

Particularmente, não gosto da artimanha de “agonia” como forma de jogo – que se delimite o tempo de fruição – bem como as artimanhas comerciais extremas – os já citados “booster”. Reflito sobre a questão da gula. Talvez possa se pesquisar o aumento de consumo de doces entre os jogadores de Candy Crush. A indústria dos doces agradece. Em certa medida, é politicamente incorreto. Numa época em que se propaga o estilo de vida saudável, com uma alimentação balanceada (com frutas e vegetais), o jogo trafega na contramão desta tendência.

E o fenômeno “queda de doces” parece longe da queda. A King já anunciou mais dois novos games para as redes sociais, a “Pampa Pear Saga” e “Farm Heroes Saga”. A saga dos “reis” vai continuar produzindo “constantemente desenvolvendo novos, viciantes e excitantes jogos online” (conforme consta no rodapé da página principal no website oficial da companhia). Um pessoal que não está de brincadeira.

Discussão

5 comentários sobre “Videogame review: A gula e a cobiça em Candy Crush

  1. Estoy encantado de encontrar posts donde hallar informacion tan necesaria como esta. Gracias por facilitar este post.

    Saludos

    Publicado por Pantalla de Leds | 2013/10/04, 7:01 AM
  2. Vocês viram que agora tem Candy Crush no Hao123? http://br.hao123.com/games/social?tn=fb_self_wt_03_games_br

    Publicado por Greicy Oliveira | 2013/11/29, 2:18 PM
  3. Como usar a roda de coco

    Publicado por monica soares | 2014/03/18, 8:32 AM

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