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documentário, educação, fotografia, internet, música, reportagem, vídeo

“Assado no Couro”: o churrasco em diferentes culturas

Bruno Maestrini, 31, é publicitário e mestre em “Mass Communication and Media Arts” pela Southern Illinois University, em Carbondale (EUA), onde atualmente reside. Por lá, ele desenvolveu um projeto de vídeos que buscou perceber as diferenças formas do preparo do churrasco na América do Norte e nos pampas, especificamente, pesquisando sobre o “churrasco no couro”. Antes de continuar, um aviso: os vídeos não são recomendáveis para vegetarianos e veganos, ok?

Foto de Bruno Maestrini

Maestrini é interessado em história, fotografia, games e música (aficcionado por Frank Zappa). Conheci o rapaz na cena musical de Pelotas (RS, Brasil) onde fizemos parte de um movimento de bandas de rock, o Uns Rock, que, entre 2003 e 2005, realizou um festival, mostras musicais e a gravação de um DVD.

Fiquei sabendo do projeto “Assado no Couro” através do próprio Maestrini que solicitou autorização para utilizar músicas da Doidivanas (rock bagual) na trilha musical (a canção “Balada Bovina” casou muito bem com a temática e ficou um clipe, no mínimo, hardcore). Até o momento, ele finalizou três vídeos: o primeiro trata da origem do gaúcho; o segundo fala das churrasco; por último, o churrasco no couro propriamente dito. Abaixo, confira os vídeos  e uma entrevista com o realizador.

 1) Como surgiu o projeto deste documentário?

Começou com um projeto de verão em 2009. Seria só uma “picture story”. Uma espécie de reportagem com uma série de fotografias. A idéia surgiu a partir de um projeto de um professor, Mark Dolan, que faz fotos de churrascarias americanas.

2) E a escolha de um tema regional brasileiro?

Porque era algo que eu me sentia confortável em falar sobre. Algo do qual entendia bem e achava que poderia contar a história com certa acuidade.

3) Como descobriu o churrasco “assado no couro”? 

Primeiro porque churrasco é algo de que gosto muito. É a parte da tradição gaúcha da qual eu sempre fui adepto, na qual sempre estive envolvido. O tema surgiu a partir da indicação de um amigo que soube que fariam um e me avisou. Sabe como é, networking é a coisa mais importante do jornalismo. Eu não conhecia o tipo de assado. Quando cheguei lá, vi que era excelente para ser tema central de um documentário. Conheci o assador José Silveira (que vive em Rio Branco, na fronteira entre o Uruguai e o sul do Brasil) e me agarrei nele, seguindo-o em seus assados. Outras motivações são 1) o desconhecimento do tema pelo público americano e 2) a necessidade que eu acho que existe de registrar essa tradição que me parece ser cada vez mais rara.

4) O afastamento para estudo em um país estrangeiro o levou a uma aproximação com a cultural local? Se você estivesse estudando no Rio Grande do Sul teria o mesmo interesse?

Sim. Logo que cheguei aqui vi que todo mundo fazia tese e estudos sobre seu país de origem. Pensei comigo mesmo que não faria igual. Mas acaba que é algo que tu conheces, algo que tens segurança em falar sobre e vês que é algo que gostas de mostrar pros outros. Tu queres que os outros saibam como é a tua casa, quem tu és. Eu no Rio Grande do Sul também fiz outros projetos que têm a ver com a cultura local, principalmente o folclore, isto quando ainda morava aí. Então acho que sim, eu teria o interesse. Ele só foi catalizado.

5) Além do documentário, vi que o projeto também assume um formato acadêmico (para a Southern Illinois University). Por quê o tríptico?

Sim, tem um paper curto que é a justificativa do estudo, uma descrição do projeto e coisas como a escolha da mídia e como chegar no público alvo e coisas do tipo. Não são apenas três documentários. Eu é que ainda não acabei de editar o resto. Ainda falta “parrillada”, “fogo de chão”, “churrasco doméstico”, “churrasquinho de porta de estádio” e qualquer outro que eu resolva fazer. Estes citados eu já gravei e falta apenas editar.

6) Qual foi a reação dos norte-americanos ao tema?

Sempre que viam a vaca diziam: “Uuooooouu, é uma vaca inteira? Já vi fazerem com porco, mas não com vaca”. Foi bem recebido em geral.

7) Você sofreu alguma represália de vegetarianos ou de alguma instituição de maltratos aos animais?

Nah. Alguns “amantes dos animais” não quiseram ver as imagens e acharam-nas fortes, mas todos entendem o aspecto antropológico e histórico do estudo. Eu tive o maior cuidado em mostrar que a vaca não é tratada como nos matadouros em série e não fica encurralada, tendo uma vida livre e mais “feliz”.

8) E encontrou algum ponto em comum entre este hábito alimentar típico desta região do pampa com a culinária norte-americana?

MUITO. Tirando o fato de que o segredo do churrasco deles é no molho. Os tipos de churrasco deles é baseado especificamente no molho e sua receita super secreta. Eles gostam também muito de carne e o seu “barbecue”.

9) Você provou o churrasco assado no couro?

Mas claro! É uma mistura de churrasco com carne de panela. A carne fica fervendo na gordura derretida e sangue e água então fica tri macia, mas ainda é assada na lenha. Eu gostei bastante, mas prefiro o fogo de chão, pessoalmente.

10) Como foi a escolha das trilhas musicais? Você também compôs um tema. Como foi o processo?

Bom, eu queria temas locais. Mas por questões de direitos autorais tive que me restringir ao que tive acesso. Por sorte conheço o Joca Martins e a vocês – Doidivanas – que gentilmente me cederam as canções. Mas para dizer a verdade, eu não poderia escolher melhores artistas (sério) mesmo se tivesse acesso irrestrito. Gosto da modernidade do som de vocês e do tradicionalismo do Joca, que não é comercial demais. Eu compus a canção especificamente para o documentário. Se tivesse mais tempo, possivelmente teria composto mais.

11) Próximos projetos?

EMPREGO. Pretendo trabalhar como jornalista por aqui (nos Estados Unidos). Foto e video jornalismo ,de preferência, para web, que é meu forte. Pretendo continuar também com a edição e publicação do projeto de churrasco. Também quero continuar a tratar folclore. Já comecei a fazer uma versão local americana (caso da “picture story” sobre o cantor americano Banjo Joe em “Long Term Plan“).

Estou neste momento gravando um filme narrativo. Uma história sobre uma menina que encontra escritas nas margens de um livro na biblioteca. São mensagens de amor para um cara. Ela tem que desvendar o mistério de quem é o casal. É um romance. É baseado em uma história real que aconteceu em Pelotas. Adaptei e romantizei para as telas. Escrevi o roteiro, estou dirigindo e também compondo a trilha. Deve ficar pronto na metade de janeiro. O nome é do trabalho é Jürgen.

Conheça mais informações no site do projeto “Assado no Couro“. Também na versão em inglês: “Barbecue on The Leather“.

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