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artes visuais, exposição, fotografia, vídeo

As palavras fotográficas de Jeff Wall

Images of photographer Jeff Wall are on display in Porto Alegre. Among them is the diptych Some Beans (1990). Yara Baungarten makes comments about Jeff Wall’s works in an article.

Porto Alegre segue a boa fase de cidade cosmopolita. Temos recebido nomes referências da cultura, em todas as especificações possíveis, desde a cibernética até o artesanato. Dentre os artistas que podemos conferir sem precisar sair muito de casa está o fotógrafo canadense Jeff Wall. Algumas de seuas obras está em cartaz na mostra Maior que a vida: a realidade acima da ficção, no Galeria Iberê Camargo da Usina do Gasômetro.  A mostra fica em cartaz até o dia 20 de junho.

Nascido em 1946, Jeff Wall é o rei dos backligths fotográficos. Em Porto Alegre, está um dos seus trabalhos mais famosos: a caixa de luz que contém a imagem “Some Beans“, um díptico de 1990 e que é completo por “Some Octopus“.

"Some Beans", 1990

Durante a minha especialização em Poéticas Visuais, escrevi um artigo sobre o artista, que na época – 2007 – tinha ganho uma retrospectiva no MoMA de Nova York, que eu reproduzo abaixo:

“A exposição, intitulada ‘In His Own Words‘, reuniu mais de 40 destaques do seu trabalho fotográfico, em grande parte realizado em cibachrome e exibido através de transparências colocadas dentro de caixas de luz. A mostra trazia também vídeos, entrevistas e ensaios de e sobre o autor.

Ao compilar os trabalhos realizados a partir da década de 70, um amplo panorama artístico foi traçado, possibilitando a compreensão de diversas facetas de Wall, facetas estas que são fotográficas, estilísticas e conceituais. Interessado em arte conceitual no início daquela década, Wall realizou composições de fotografias e textos chamados ‘Landscapes Manual‘. Já em 77, as imagens chamadas ‘fototransparências’ tiveram referências da história da arte e de escritos clássicos, como os de Kafka. Tendo formação teórica da arte, o fotógrafo atuou desde o inicio da carreira como professor, onde fez uma aproximação entre os materiais que produzia e a crítica e o pensamento filosófico desta arte.

Partindo desse ponto de indagação, o trabalho de Wall busca conceitos pictóricos de representação, quando ele namora com questões consideradas cinematográficas. Muitas de suas fotografias revelam imagens grandiosas que são fabricadas numa organização quase industrial, já que contam com elenco, cenário, iluminação, equipe de pós-produção.

“A Sudden Gust of Wing” (after Hokusai) - 1993

Numa entrevista de 2004, para a revista alemã Revólver, Jeff Wall fala desse processo: ‘se você analisar esta composição, percebe que muitas das pequenas peças de papel coincidem com pontos muito importantes do retângulo. Isso dá a impressão de ser acidental, mas não é (…)’. Ele descreve a aquisição da imagem, alegando que é necessário primeiro criar inúmeras chances, criar bastante movimento e assim ter bastante material para editar.

Juntamente com o interesse em fotojornalismo e em fotografia urbana, Wall apresenta obras, também elaboradas nos mínimos detalhes, que foram realizadas em ambientes internos, sejam eles museus (‘Restoration‘, 1993), apartamentos (‘A View from an Apartment‘ – 2004/2005), ateliês (‘Adrien Walker‘, 1992), entre outros. Num cenário modificado e criado pelo artista, nos são apresentadas fotografias como ‘An Octopus‘ and ‘Some Beans‘, de 1990. Ou ainda ‘The Destroyed Room‘, de 1978, onde faz um estudo fotográfico a respeito de um trabalho de Delacroix.

Em ‘Swept‘, a interferência do e no espaço que Jeff Wall propõe é evidenciada quando se percebe o ambiente, que de tão mudado perdeu sua característica inicial.

"Swept", 1995

O pesquisador Michael Tarantino, no livro ‘Deslocações‘ – editado pelo Centro Português de Fotografia em 1997 – analisa esta imagem ressaltando que o entendimento do que ela representa muda quando deixamos de tentar decifrar categoricamente a representação, – uma sala, um antigo estábulo, uma peça retangular, uma sombra que cria novos ambientes –, e passamos a encarar a ação do artista. Esta sala foi varrida. Assim, uma ação a transformou no espaço vazio que vemos. Tarantino conceitua e descreve “Swept” da seguinte maneira:

‘(…) esta fotografia simples, destituída de quaisquer elementos narrativos, parece comunicar diretamente com a capacidade do meio para combinar os tempos. Firmemente ancorada no presente, que é o momento em que a fotografia foi tirada, fala também com eloqüência do passado. Um espaço que está varrido, que foi varrido.’

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